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O reggae fez Alexandre Carlo ser conhecido em todo o País. Há quase duas décadas à frente do grupo Natiruts, ele tem feito do ritmo tipicamente jamaicano seu cartão de visitas. Mas sua relação com o universo musical é mais ampla e conta com inspirações que vão além de nomes como Bob Marley e Peter Tosh. Uma faceta mais pessoal – e com bastante suingue – do compositor brasiliense é revelada no álbum Quartz (Sony Music, R$ 24,90 em média), que marca sua primeira aventura solo.

“Estou com o Natiruts desde os 17 anos, temos feito um trabalho de sucesso desde então e é normal que as pessoas me conheçam por essa jornada. Mas também tenho uma musicalidade só minha. Em 2012 resolvi que seria interessante me expressar separadamente. Acaba sendo algo natural para quem trabalha música. Não estou restrito ao reggae”, afirma Alexandre. “Eu vivo a música. Não sou um cara que simplesmente lida com essa área de maneira pontual. É uma extensão do que sou e é algo que faço todos os dias.”

O CD viaja por sonoridades que acompanham o artista desde a infância e a adolescência. Nas composições, todas assinadas por ele, é possível notar influências do samba carioca e do soul e funk norte-americanos. “Retomei muitas coisas que ouvia em casa. Acabei ouvindo os discos que meu pai tinha, como trabalhos do Earth Wind and Fire, Marvin Gaye, James Brown e do pessoal da Motown (gravadora que marcou época principalmente nos anos 1960 por lançar famosos artistas de soul e R&B), além dos brasucas, entre eles Djavan e Jorge Ben Jor. A música norte-americana atual também tem me agradado em certos aspectos. Tudo acaba sendo uma grande mistura”, explica.

Para a empreitada, Alexandre traz alguns convidados. A cantora Ellen Oléria, vencedora da edição do ano passado do programa The Voice Brasil, da Globo, empresta seu talento para a dançante Te Beijar. Os rappers paulistanos Projota (na calma Chelly) e Rashid (com participação no single Last Night) também estão no time, assim como Caê du Samba. “Acho a Ellen uma das maiores intérpretes da minha geração e tinha um material que eu achava ideal ser cantado por uma mulher. Já os rapazes se tornaram amigos de estrada. Fui conhecendo melhor esse novo enfoque do atual rap de São Paulo e achei que eles seriam capazes de falar de amor, da vida e da noite.”

Cara de Brasília
A produção de Quartz foi toda feita em Brasília e por músicos e produtores que têm suas raízes musicais na região do serrado, casos do baterista Pedro Mamede e o baixista PJ, este último integrante do grupo Jota Quest. A ideia é de que o projeto tentasse soar ao máximo com uma sonoridade típica da Capital brasileira. Segundo Alexandre, “a cidade sempre esteve presente em momentos importantes do País e da música. Temos uma vanguarda interessante que vai desde os Raimundos até o pessoal da década de 1980. Há um sotaque diferente e queria que isso tivesse a minha cara também”.

Prestes a fazer 40 anos, em março, o cantor espera fazer uma festa em sua terra natal para lançar o disco e celebrar seu aniversário de maneira especial. Os shows de divulgação do álbum estão sendo agendados para o meio da semana e em locais menores dos que está acostumado a tocar com o Natiruts. Os fins de semana ainda serão dedicados às atividades da banda, da qual não irá se desvincular.

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