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Nem o clima festeiro de Reggae night nem o tom de quase balada de Rebel in me, muito menos o jeitão hit de The harder they come ou de I can see clearly. Depois de sete anos sem lançar disco, o jamaicano Jimmy Cliff retorna com Rebirth, apostando em sonoridade que remete a suas raízes no reggae e ska, além de incluir releituras – à sua maneira – das bandas punk The Clash e Rancid. Não por acaso, a produção ficou a cargo do guitarrista desse segundo grupo, Tim Armstrong, fã da música da Jamaica. Beirando o vintage, o trabalho é outro bem-sucedido exemplo de reinvenção baseada na volta às origens.
 
Jimmy e Tim foram apresentados por um amigo comum, Joe Strummer, do The Clash. Curiosamente, a última gravação de Strummer, que morreu em 2002, foi Over the border, faixa do disco Black magic, que o jamaicano lançou dois anos depois. Jimmy registrou as 13 novas canções com a banda de estúdio de Tim, Engine Room, formada por Kevin Bivona (piano e guitarra), Dan Boer (órgão e percussão), J. Bonner (baixo e percussão) e Scott Abels (bateria e percussão).

A primeira faixa é o ska Ruby Soho, extraída de … And out came the wolves, disco que Rancid lançou em 1995. Apesar de bem adaptada para Jimmy, ela está longe de ser o ponto alto do álbum. Alternando-se entre o refrão rouco e estrofes ora quase sussurradas, ora rasgadas, ele impressiona em Cry no more, faixa em que a levada da guitarra, a marcação da linha de baixo e a timbragem da bateria formam a paisagem sonora do reggae clássico.

Essa sonoridade se repete em outras faixas, como Rebel rebel (bom trabalho dos metais), Bang (que leva o vocal ao limite, novamente) e One more (apontada como hit do disco e com versão alternativa ao final). Comemorando seus 50 anos de carreira, Jimmy incluiu a autobiográfica Reggae music, na qual relembra os primeiros passos artísticos, aos 14 anos, com a canção Hurricaine Hattie.

O artista não deixa de lado o histórico engajamento do reggae, a marca de faixas como o ska World upside down (adaptação dele para letra do conterrâneo Joe Higgs, sobre a inversão de valores éticos) e Children’s bread, inspirada em sua turnê por países africanos como Nigéria, Serra Leoa e Gana. Outra releitura: The guns of Brixton (The Clash), sobre as tensões que pairavam sobre o distrito londrino de Brixton no fim dos anos 1970.

Este é, de fato, um ano especial para Jimmy. Além do lançamento de Rebirth e dos 50 anos de atividade musical, ele comemora as quatro décadas do filme The harder they come (que protagoniza e para o qual escreveu a trilha sonora), além de meio século de independência da Jamaica (dia 6 do mês passado). Incluído no Rock and Roll Hall of Fame, nos Estados Unidos, o jamaicano vibrou com sua estreia, em abril, no festival norte-americano Coachella ao lado de Radiohead, The Black Keys e Arctic Monkeys. A plateia, predominantemente jovem, sabia cantar suas músicas.
 
Informações do Site www.divirta-se.uai.com.br

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